quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Livro Zero - Alexandre Plosk

 

 Sinopse - Livro Zero - Alexandre Plosk

Livro Zero é o primeiro romance do carioca Alexandre Plosk. Trata-se de uma espécie de apropriação de Crime e Castigo, de Dostoiévski. Partindo do crime de Raskolnikov no original russo, o personagem de Plosk, ao que tudo indica, é o real assassino da velhinha usurária. Sem dó, o jovem autor de 35 anos coloca seu personagem na cadeia. Charles Schwartz, um jovem e premiado publicitário, é condenado a vinte e cinco anos de prisão. As circunstâncias do crime guardam um ar de mistério: a arma jamais foi encontrada e a motivação é um enigma para familiares e autoridades. Alheio a essas questões, Charles quer apenas aproveitar a suposta tranqüilidade e o tempo na prisão para ler os clássicos da literatura mundial, fontes de inspiração para escrever sua própria obra. Quando se dá conta, já se passaram sete anos e esse personagem obscuro e barbudo é tido como um santo, um salvador adorado no presídio. Sua figura divide o presídio entre fiéis e infiéis. Demora até que o personagem aceite sua condição e passe a ser usado pela direção do presídio como fator para controle dos presos. Ao longo da história, surgem todos os personagens da obra-prima russa. Aparecem disfarçados, revirados - mas com os nomes originais -, alterando a trama e direcionando-a para passagens surrealistas e repletas de poesia. No fim, de maneira surpreendente, as duas obras convergem.

Imagens do livro original

Trecho

"Foi só então que percebi. Pela pequena fresta da janela que não estava coberta pela cortina, dezenas de olhos me fitavam. Fixamente, sem ao menos piscaren uma vez.
Ao entrar no recinto, o acompanhante de Davi, um presidiário, baixou os olhos e se ajoelhou aos meus pés.
- Abençoado seja o Santo, abençoado seja o Santo! - gritava o pobre coitado, repetidamente.
- Levante-se homem.
Ele não me escutava. Tive de puxá-lo.
- Levante-se!
Notei que havia uma grande marca em seu peito.
- O que é isso?
Ele estava paralisado. Tinha os olhos arregalados. Davi teve de rasgar sua camisa. Finalmete pude observar por inteiro a enorme tatuagem: um homem de olhos fechados, como se tivesse orando em meio a um cenário etéreo. Não foi difícil reconhecer aquela face. Era o meu rosto."
 

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